Chatbots ganharam espaço, mas o maior retorno está nos bastidores
Chatbots, assistentes virtuais e sistemas de atendimento automatizado passaram a concentrar boa parte dos investimentos em inteligência artificial no setor de alimentação. A tecnologia tornou mais rápidas as interações com consumidores, automatizou respostas e ampliou a capacidade de atendimento de restaurantes e redes de food service.
A consultoria Gartner estima que, nos próximos anos, aproximadamente 80% das interações de atendimento ao cliente poderão ser conduzidas por tecnologias automatizadas. Esse movimento fortalece a inteligência artificial conversacional como uma das principais frentes de transformação na relação entre empresas e consumidores.
No entanto, o maior potencial de retorno financeiro ainda está distante da interface de atendimento. Ele aparece principalmente quando a IA é aplicada à gestão, à análise de dados, à previsão de demanda, ao controle de estoque e à redução de desperdícios.
Para Rafael Franco, CEO da Alphacode, empresa especializada no desenvolvimento de aplicativos para food service, fintechs e soluções para o mercado financeiro, o debate sobre inteligência artificial ainda está concentrado na parte mais visível da tecnologia.
"Os chatbots chamam atenção porque são a interface com o consumidor, mas representam apenas uma pequena parcela do potencial da inteligência artificial. O verdadeiro ganho acontece quando ela passa a orientar decisões, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência do negócio."
Inteligência artificial pode prever demanda e reduzir desperdícios
Na avaliação do executivo, muitos estabelecimentos ainda utilizam a tecnologia apenas para agilizar o atendimento. Com isso, deixam de explorar sua capacidade analítica nos bastidores da operação.
É justamente nesse ponto que estão algumas das maiores oportunidades para elevar a produtividade, reduzir custos e proteger as margens do negócio.
Entre as aplicações possíveis estão:
- Previsão dos horários de maior movimento;
- Identificação de padrões de consumo;
- Ajuste do mix de produtos;
- Otimização das compras;
- Cálculo dos níveis ideais de estoque;
- Redução de desperdícios;
- Automatização de campanhas;
- Personalização de ofertas;
- Análise da recorrência dos clientes;
- Apoio às decisões comerciais e operacionais.
"Quando a IA começa a apoiar decisões, ela consegue antecipar demanda, identificar padrões de consumo, otimizar compras e tornar toda a gestão mais eficiente. É nesse momento que a tecnologia deixa de ser um diferencial e passa a gerar resultado financeiro", afirma Rafael Franco.
Integração entre sistemas é o que transforma dados em decisões
Os principais ganhos aparecem quando diferentes sistemas utilizados pelo restaurante começam a compartilhar informações em tempo real.
Plataformas próprias, sistemas de gestão, pontos de venda, soluções logísticas e programas de fidelidade podem deixar de funcionar de forma isolada e passar a alimentar uma base integrada de dados.
Em vez de apenas registrar o que aconteceu, essas ferramentas começam a interpretar comportamentos, identificar tendências e recomendar ações capazes de tornar a operação mais eficiente.
A empresa deixa de analisar somente o histórico de vendas e passa a trabalhar de maneira preditiva. Assim, consegue antecipar problemas, preparar estoques, ajustar equipes e tomar decisões antes que uma dificuldade afete o atendimento ou a rentabilidade.
"A empresa deixa de olhar apenas para o histórico de vendas e passa a trabalhar de forma preditiva. Isso permite agir antes que os problemas apareçam, aumentando produtividade e rentabilidade sem depender apenas do aumento das vendas", explica o empresário.
Aplicativos próprios passaram a concentrar informações estratégicas
Segundo Franco, os aplicativos próprios assumiram um papel estratégico nas redes de alimentação.
Além de concentrarem pedidos, essas plataformas reúnem informações sobre comportamento do consumidor, frequência de compra, preferências e participação em programas de fidelidade.
Esses dados formam uma base relevante para decisões mais rápidas e assertivas. A empresa pode compreender quais produtos apresentam maior demanda, quais clientes compram com mais frequência e quais ofertas possuem maior possibilidade de conversão.
Dessa forma, o aplicativo deixa de ser apenas um canal de vendas e passa a funcionar como uma plataforma de relacionamento, análise e monetização.
Inteligência artificial gera mais resultado quando entra na operação
Outro erro frequente é tratar a inteligência artificial como uma solução isolada.
De acordo com o CEO da Alphacode, o maior retorno aparece quando a tecnologia integra toda a jornada digital do cliente e conecta diferentes áreas da empresa.
Nesse modelo, o aplicativo pode reunir:
- Pedidos;
- Pagamentos via Pix;
- Programas de fidelidade;
- Informações de consumo;
- Soluções de crédito;
- Serviços de fintechs;
- Recursos financeiros integrados;
- Dados operacionais e comerciais.
Algumas dessas funcionalidades podem estar conectadas a infraestruturas reguladas pelo Banco Central, incluindo modelos financeiros baseados em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, os FIDCs.
"O aplicativo evoluiu para uma plataforma de relacionamento e monetização. Quando conectamos dados de consumo, meios de pagamento e serviços financeiros, conseguimos criar experiências mais completas e ampliar o valor de cada cliente ao longo do tempo."
Canais próprios reduzem a dependência dos marketplaces
A integração entre dados, pagamentos, inteligência artificial e relacionamento com o consumidor também pode reduzir a dependência de marketplaces.
Ao fortalecer os canais próprios, restaurantes e redes de alimentação conquistam maior controle sobre a experiência de compra e sobre as informações produzidas pelos clientes.
Em plataformas de terceiros, parte desses dados pode permanecer limitada ao ambiente do marketplace. Já nos canais próprios, a empresa consegue construir uma base de informações que pode apoiar campanhas, ofertas, programas de fidelidade e estratégias de retenção.
Esse processo amplia as possibilidades de geração de receita e permite que o restaurante utilize os dados da própria operação como base para decisões mais inteligentes.
Aplicativos deixaram de ser apenas ferramentas de venda
Com a evolução dos aplicativos, essas plataformas passaram a concentrar dados, pagamentos, serviços financeiros e informações de relacionamento.
Para os restaurantes, isso significa a possibilidade de compreender melhor o comportamento do cliente e desenvolver experiências mais personalizadas.
A integração entre aplicativos, sistemas de gestão e inteligência artificial pode ajudar a identificar:
- Clientes com maior recorrência;
- Produtos mais comprados;
- Horários com maior concentração de pedidos;
- Taxas de abandono;
- Preferências por meios de pagamento;
- Potencial de recompra;
- Oportunidades para campanhas personalizadas.
Quando esses dados são analisados de forma estruturada, a empresa pode aumentar a retenção e ampliar o valor gerado por cada cliente ao longo do tempo.
Empresas ainda investem em IA sem definir indicadores
Apesar da rápida popularização da inteligência artificial, muitas empresas iniciam projetos sem estabelecer indicadores ligados à eficiência, à redução de custos ou à rentabilidade.
Como consequência, investem em soluções que criam uma percepção de inovação, mas produzem pouco impacto nos resultados financeiros.
A implementação de uma nova tecnologia precisa partir de um problema concreto. Antes de contratar ferramentas ou desenvolver sistemas, o restaurante deve definir quais resultados pretende alcançar.
Entre os indicadores que podem ser acompanhados estão:
- Redução de desperdícios;
- Giro de estoque;
- Custo por pedido;
- Tempo médio de atendimento;
- Retenção de clientes;
- Frequência de compra;
- Taxa de conversão;
- Margem por produto;
- Receita por cliente;
- Eficiência das campanhas.
"Não basta implementar inteligência artificial porque ela virou tendência. Ela precisa resolver problemas concretos da empresa. Quando é direcionada para reduzir desperdícios, melhorar processos, aumentar a retenção de clientes e apoiar decisões estratégicas, os resultados aparecem de forma consistente", afirma Franco.
Próxima fase do food service será baseada em integração
Para Rafael Franco, a próxima etapa da transformação digital no food service será definida pela capacidade das empresas de conectar diferentes tecnologias em uma única estratégia de crescimento.
Inteligência artificial, aplicativos próprios, análise de dados, automação, pagamentos via Pix, crédito e soluções financeiras não devem ser tratados como iniciativas independentes.
Quando essas ferramentas trabalham de maneira integrada, a tecnologia passa a influenciar diretamente a rentabilidade e a competitividade do negócio.
"A tecnologia deixou de ser apenas um apoio operacional. Ela passou a influenciar diretamente a rentabilidade do negócio. As empresas que conseguirem transformar dados em decisões terão uma vantagem competitiva difícil de alcançar apenas com preço ou marketing."
Quem é Rafael Franco
Rafael Franco atua há cerca de 20 anos no mercado de tecnologia. É graduado em Ciência da Computação, possui pós-graduação em Engenharia de Software e acumula experiência como executivo de empresas multinacionais, onde liderou projetos reconhecidos e premiados.
Atualmente, é CEO da Alphacode e lidera uma equipe especializada no desenvolvimento de experiências digitais, aplicativos mobile e projetos tecnológicos de grande porte.
Sobre a Alphacode
Fundada em 2015, a Alphacode possui presença em São Paulo, Curitiba, Fortaleza e Orlando, nos Estados Unidos.
A empresa é responsável por projetos desenvolvidos para marcas como:
- Domino’s Pizza;
- Madero;
- China In Box.
Segundo as informações divulgadas, as soluções da empresa atendem mais de 20 milhões de pessoas por mês, principalmente nos segmentos de delivery, saúde e fintechs.
Além de aplicativos, a Alphacode desenvolve soluções como:
- Sites;
- Totens de autoatendimento;
- Sistemas para WhatsApp;
- Integrações com meios de pagamento;
- Nota fiscal eletrônica;
- Sistemas de ponto de venda;
- Mensageria;
- Análise de risco;
- Soluções logísticas.