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Nova marca de Blumenau aposta na “Cultura do Fazer”, mas terá o desafio de conquistar a cidade

Blumenau apresentou sua nova marca territorial baseada no conceito “Cultura do Fazer”. A identidade amplia a representação da cidade para além das referências tradicionais, mas ainda terá o desafio de conquistar reconhecimento popular e se consolidar como uma marca realmente pertencente à cidade.

Nova marca de Blumenau aposta na “Cultura do Fazer”, mas terá o desafio de conquistar a cidade
Foto: Divulgação

Blumenau apresenta nova marca territorial baseada na “Cultura do Fazer”

Blumenau apresentou uma nova identidade territorial com a proposta de representar a cidade para além dos cartões-postais, das festas tradicionais e das referências germânicas que historicamente fazem parte de sua imagem.

O conceito central escolhido foi a “Cultura do Fazer”, uma ideia que procura traduzir Blumenau a partir do comportamento das pessoas que trabalham, empreendem, produzem, criam e ajudam a transformar o município diariamente.

Segundo a apresentação do projeto, mais de 2.100 pessoas foram ouvidas, em uma pesquisa realizada com apoio da Furb e do Projeto Focus. A percepção identificada ao longo desse processo teria apontado que a identidade de Blumenau está menos concentrada em seus monumentos e mais na maneira como seus moradores fazem as coisas.

A partir desse diagnóstico, a “Cultura do Fazer” passou a ocupar o centro do novo posicionamento da cidade.

Uma identidade construída entre memória e contemporaneidade

Visualmente, a nova marca procura estabelecer um diálogo entre elementos históricos e uma linguagem mais contemporânea.

A tipografia utilizada no nome “Blumenau” foi inspirada em jornais centenários, enquanto os cortes inclinados presentes nas letras fazem referência à arquitetura enxaimel, um dos elementos mais reconhecidos da herança cultural local.

Outro componente da identidade é o sistema de cores, desenvolvido para representar as quatro estações do ano e diferentes paisagens e momentos vividos pela cidade.

O projeto também apresenta uma skyline integrada ao logotipo e um novo símbolo construído a partir de elementos relacionados ao sol, à arquitetura, à proteção e à própria história de Blumenau.

Nas aplicações divulgadas, a identidade aparece em diferentes formatos, incluindo:

  • Placas;
  • Roupas;
  • Canecas;
  • Mobiliário urbano;
  • Materiais turísticos;
  • Peças institucionais e de comunicação.

A variedade demonstra que a proposta foi concebida como um sistema de identidade visual, e não apenas como um novo logotipo institucional.

“Cultura do Fazer” amplia a forma de representar Blumenau

Um dos principais méritos conceituais da nova marca está na tentativa de ampliar a narrativa construída em torno da cidade.

Blumenau é frequentemente apresentada ao público externo por meio de elementos turísticos, festas e referências relacionadas à colonização alemã. Esses aspectos continuam fazendo parte de sua história, mas representam apenas uma parcela da cidade contemporânea.

Ao adotar a “Cultura do Fazer”, a nova identidade abre espaço para uma Blumenau também industrial, tecnológica, empreendedora, criativa e comunitária.

Dentro dessa narrativa podem ser incluídos diferentes personagens:

  • Trabalhadores;
  • Empresários;
  • Empreendedores;
  • Artistas;
  • Comerciantes;
  • Pesquisadores;
  • Produtores culturais;
  • Profissionais de tecnologia;
  • Moradores que participam da construção cotidiana da cidade.

Esse movimento pode ajudar a aproximar a marca territorial de uma Blumenau que vai muito além das imagens tradicionais utilizadas historicamente na promoção turística.

O conceito precisará provar que é realmente de Blumenau

Ao mesmo tempo, o próprio conceito apresenta um desafio importante.

A expressão “Cultura do Fazer” não é naturalmente exclusiva de Blumenau. Diversas cidades industriais, empreendedoras ou economicamente dinâmicas poderiam reivindicar uma narrativa semelhante.

Isso significa que a diferenciação não acontecerá somente pela frase ou pelo conceito.

A força da marca dependerá da capacidade de Blumenau de transformar essa ideia em algo reconhecível e associado especificamente à cidade.

Para isso, será necessário demonstrar a “Cultura do Fazer” por meio de histórias concretas, empresas, personagens, projetos, movimentos culturais, trabalhadores, empreendedores e realizações locais.

Em outras palavras, o conceito ganha força quando deixa de ser apenas uma mensagem institucional e passa a ser comprovado pela própria cidade.

Complexidade visual pode dificultar a leitura imediata

A nova identidade reúne diversas referências históricas e simbólicas em uma mesma construção visual.

Essa riqueza conceitual contribui para contar uma história mais profunda sobre Blumenau. Porém, também pode criar dificuldades quando a marca precisa funcionar de forma simples e rápida.

Um dos pontos que merece atenção é o novo símbolo, que concentra diferentes elementos em uma única composição. Dependendo da aplicação, essa complexidade pode afetar a legibilidade, especialmente em formatos reduzidos.

Isso pode ocorrer em situações como:

  • Fotos de perfil;
  • Ícones digitais;
  • Bordados;
  • Aplicações pequenas;
  • Impressões reduzidas;
  • Materiais observados à distância.

Outro elemento marcante está na divisão visual do nome Blumenau em três partes: “BLU”, “ME” e “NAU”.

A solução cria uma composição contemporânea e diferenciada, mas também exige que o público compreenda rapidamente que os três blocos formam um único nome.

Em um primeiro contato, existe a possibilidade de algumas pessoas interpretarem esses elementos separadamente antes de identificar a palavra completa.

Nem todas as referências são percebidas sem explicação

Os cortes tipográficos inspirados na arquitetura enxaimel adicionam personalidade ao projeto e estabelecem uma relação interessante com a história arquitetônica da cidade.

Entretanto, parte desse significado se torna mais evidente depois que a explicação conceitual é apresentada.

Esse ponto ajuda a revelar um dos desafios mais complexos na criação de uma marca territorial.

Uma identidade desse tipo precisa carregar memória, simbolismo e diferenciação, mas também deve funcionar de maneira intuitiva para pessoas que nunca tiveram contato com o racional apresentado pelos designers.

A pergunta, portanto, não está apenas em saber se cada elemento possui significado, mas se esse significado consegue ser percebido naturalmente pelo público ao longo do tempo.

A marca pertence à cidade ou à gestão pública?

Um dos pontos mais relevantes apresentados no lançamento está na própria definição de pertencimento da nova identidade.

Segundo a apresentação:

“A marca não foi criada para Blumenau, mas a partir de quem faz Blumenau.”

A frase fortalece a narrativa de construção coletiva, mas também aumenta a responsabilidade sobre o futuro da marca.

Para se consolidar como uma marca da cidade, a identidade precisará ultrapassar os canais institucionais da administração pública.

Ela deverá ser incorporada por diferentes setores da sociedade, incluindo:

  • Turismo;
  • Eventos;
  • Empresas;
  • Entidades empresariais;
  • Instituições;
  • Projetos culturais;
  • Comércio;
  • Comunidades;
  • Próprios moradores.

Caso sua utilização permaneça concentrada principalmente em peças institucionais, existe o risco de a identidade ser percebida como uma marca de governo, e não como uma marca territorial de Blumenau.

Construção coletiva também exige transparência

O projeto destaca a participação de mais de 2.100 pessoas durante a etapa de pesquisa.

Esse número fortalece a narrativa de envolvimento popular e oferece uma base importante para a construção do posicionamento.

Ao mesmo tempo, será relevante que o processo seja apresentado com o máximo possível de transparência.

Informações como quais grupos participaram da consulta, quais perguntas foram realizadas, quais percepções apareceram com maior frequência e de que forma essas respostas foram convertidas em decisões estratégicas podem ajudar a população a compreender melhor o processo de criação.

A participação de milhares de pessoas é um ponto relevante, mas o verdadeiro teste acontecerá quando a marca passar a ser interpretada por uma população muito maior e mais diversa.

Uma identidade promissora que ainda precisa ser legitimada

A nova marca territorial de Blumenau apresenta pesquisa, referências históricas e uma tentativa clara de ampliar a forma como a cidade se apresenta.

O conceito da “Cultura do Fazer” oferece um caminho interessante para comunicar uma Blumenau que não vive apenas de suas tradições, mas também de sua capacidade de produzir, empreender, inovar e se reinventar.

Ao mesmo tempo, uma marca territorial não se consolida apenas no momento do lançamento.

Ela precisa ganhar espaço no cotidiano, ser reconhecida, utilizada e, principalmente, apropriada pela população.

As críticas relacionadas à complexidade de alguns elementos visuais ou à amplitude do conceito não invalidam o projeto nem o trabalho desenvolvido por seus criadores.

Elas revelam um desafio comum a qualquer identidade territorial: encontrar equilíbrio entre história, diferenciação, profundidade, simplicidade e reconhecimento popular.

Mais importante do que discutir se o novo desenho é bonito ou feio será acompanhar sua capacidade de representar a diversidade de Blumenau e permanecer relevante ao longo dos próximos anos.

A nova marca já possui uma história para contar.

Agora, precisará descobrir se os blumenauenses também desejam contá-la.

Crédito da foto: Divulgação

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